segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O jornalismo e a paixão pelo futebol

Foto meramente ilustrativa. As vezes não dá pra controlar nossa paixão por esse esporte


Muitas pessoas - inclusive eu - começam a escrever ou falar sobre esportes por diversão, mas com o intuito de um dia isso se tornar o que garante o pão de cada dia. Um fato inegável é que o esporte é apaixonante, seja lá qual for o seu favorito, todos têm suas perfeições e todos despertam sentimentos que às vezes a gente nem sabia que teria. Fanatismo, nervosismo, entusiasmo.. Tudo está atrelado a sua paixão pelo esporte, e às vezes não dá pra segurar essa paixão.

Não dá pra segurar por que as vezes nossa paixão nos cega. Por muitas vezes, ficamos tão pilhados com nossos times que não dá pra esconder de ninguém que estamos (ou somos) apaixonados por certo time, por conta de uma boa fase ou após uma vitória alarmante, porque as vezes isso está escrito na nossa própria testa. E geralmente a testa é uma das primeiras partes do nosso corpo que as outras pessoas olham. 

Mas, lembra daquelas pessoas que eu falei que as vezes começam a escrever por diversão e isso acaba se tornando o motivo da renda dessas pessoas? Então, isso as vezes acontece com os jornalistas que nós vemos hoje. Não que necessariamente eles começaram por um blog - assim como estou começando - ou escrevendo por escrever. Mas é que a paixão continua seguindo-os, não importa local,horário e ambiente de trabalho que estão. 

Simplesmente não dá pra assistir um esporte regularmente sem tomar simpatia por qualquer time se quer. No caso do futebol, na maioria das vezes essa paixão é passada pelo berço. Atualmente, temos a cultura de que o jornalista deve ser totalmente imparcial. 

O que é corretíssimo. No ambiente de trabalho, o jornalista tem que estar apto para falar sobre qualquer time, e falar em uma visão neutra, pois, em até uma postura de respeito a todas as torcidas, ele não pode demonstrar em hipótese alguma, a sua verdadeira paixão. 

Mas o jornalista é um torcedor como outro qualquer. É como aquele tio que fica bêbado no meio do jogo, dorme no meio caminho e no dia seguinte fica desesperado para saber quanto terminou a partida. É como aquele cara que não fala absolutamente nada durante todo o jogo, mas quando sai um gol, parece que só falta explodir. O futebol desperta paixão em todos que o assistem, inclusive os jornalistas. 

Seria falta de ética impedir alguém que trabalha com o esporte ficar impedido de assistir aquilo que ele mais gosta. Fora das câmeras e longe dos microfones, ele é mais um torcedor como qualquer outro. Mas é claro que ele tem que manter a ética e a postura dentro do estádio por ser uma figura pública. Mas impedir qualquer pessoa de fazer aquilo que mais gosta por achar que é "falta de ética" é errado. O verdadeiro nome disso é censura, e em pleno 2016, isso deveria ser um fato longínquo de qualquer pessoa. 

No domingo, o Mauro Cezar Pereira foi visto no Pacaembu com seu filho torcendo para o Flamengo. Antes que argumentem que foi "falta de ética", ele estava vestido com uma camisa do Aston Villa, tradicional time inglês que atualmente disputa a segunda divisão. Como mencionei antes, é preciso manter a postura, por que ele é uma figura pública. Ir ao estádio com a camisa do seu time foi um grande acerto, mas mais acertado ainda foi a decisão dele em ir ao estádio com a pessoa que ele quer passar todas as experiências que ele viveu nesse enorme mundo que envolve as quatro linhas. 

Mauro, como qualquer torcedor, você está no seu direito de ir ao estádio e comemorar muito. E você não deve se preocupar, porque quando a câmera está gravando você se torna neutro. Em mais ou menos 12 de profissão, você já falou coisas boas e ruins de qualquer time que se possa imaginar,e é essa é sua função como jornalista. Agora, sua função como torcedor, é essa: simplesmente torcer. Seja pelo Racing, pelo Flamengo ou por qualquer outro time que você sinta vontade de torcer. Parabéns pela atitude, e que você continue sendo imparcial quando for preciso. 

Não sei se você lerá isso, duvido muito. Mas te admiro demais. Saudações de um alvinegro carioca que está entusiasmado com uma possível briga para uma vaga na (pré)Libertadores. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

É preciso abraçar o legado olímpico

(Foto: Getty Images/Buda Mendes)
As Olimpíadas foram espetaculares. Para um país coberto por dúvidas por conta da  infraestrutura e de como "enfrentar os jogos", o Brasil foi um ótimo anfitrião para todas as nações. Mesmo com alguns problemas na Vila Olímpica antes mesmo dos jogos começarem, o COI e a prefeitura do Rio trataram de colocar um jeito nos problemas e tudo correu corretamente. Mas na minha opinião o que fez todos os estrangeiros esquecerem os problemas - se esses existiam de verdade - foi o povo brasileiro e a sua energia única. 

Energia essa que contagiou a todos que aqui estiveram. Sejam torcedores,jogadores ou membros de comissão técnica. O Brasil e o brasileiro, mais uma vez, mostraram que são o povo  mais amistoso do planeta e que podem sim suportar eventos de qualquer porte e de qualquer meio. O brasileiro, mais uma vez, provou que tudo quando é feito com amor e paixão tem um resultado positivo. E foi realmente muito positivo a todos que viveram essa atmosfera olímpica. 

O brasileiro apoiou muito e parece que com a Olimpíada no país, o povo passou a gostar mais ainda do evento - confesso que nunca fui muito aí com Jogos Olímpicos, mas a Rio2016 me fez mudar de ideia. As pessoas apoiaram nossos atletas do jeito que puderam - gritando, pulando, rezando ou até tweetando - e eles não fizeram feio. O grande legado que essa Olimpíada nos dá é que o esporte é uma forma de integração entre as pessoas de qualquer parte do mundo e que ele é capaz de transformar qualquer sentimento em felicidade.

O ouro de Rafaela Silva servirá de inspiração para todos aqueles que sonham em estar em uma Olimpíada.
 (Foto: Getty Images/David Ramos)
Mas o legado olímpico deve permanecer vivo. Não é apenas para torcermos pelo judô quando a Rafaela Silva estiver em outra final ou para boxe quando Robson Conceição estiver dentro do ringue. Não, é preciso torcer pra eles assim como torcemos para Neymar, Gabriel Jesus e Gabigol. É preciso exaltar os atletas que não têm o mínimo de investimento e atenção por parte das entidades responsáveis por isso. Se já é difícil virar um jogador de futebol no Brasil, imagina conseguir chegar a um pódio olímpico no taekwondo ou na vela? Precisamos pensar em tudo que esses atletas passaram para chegar lá e em toda a dificuldade que encontraram no meio do caminho. E exaltá-los por isso. 

O legado olímpico pode ser mais bonito do que você imagina. E mesmo aqueles que não conseguiram medalhas devem ser exaltados. Sheilla e Fabiana se aposentam da seleção feminina de vôlei com um currículo cheio de glórias; Formiga mostra que aos 38 anos não existe idade que a impeça de dar um carrinho para evitar um ataque do time adversário; Wagner Domingos, o 'Montanha' mostra que mesmo sem medalha, chegar a final do lançamento de martelo após 84 anos de seca também pode ser considerado como uma vitória.Com certeza vocês merecem tanto quanto aqueles que alcançaram a glória do pódio, por toda vontade e toda dedicação ao representarem o Brasil.

Foram as Olimpíadas da superação. Diego Hypólito superou duas quedas e uma tamanha desconfiança para conseguir chegar á sua tão sonhada medalha. Havia uma grande expectativa em cima do ginasta que decepcionou em 2008 e 2012 mas não desistiu. Thiago Braz superou o maior saltador de vara da história, Renaud Lavillenie, e conseguiu um novo recorde olímpico em cima do detentor do atual recorde mundial. Vaias à parte, a atuação do brasileiro foi memorável. Poliana Okimoto venceu a séria lesão que a tirou da prova de Londres e conquistou o bronze. O legado olímpico também nos ensinou que nunca devemos desistir e que temos que lutar por nossa glória ao máximo, mesmo que antes passemos por um caminho cheio de pedras.

Diego Hypólito finalmente chegou á glória. (Foto: Jonne Roriz/Exemplus/COB)

Fizemos história. A melhor participação brasileira em uma Olimpíada com 7 ouros,6 pratas e 6 bronzes. Longe da meta estipulada pela federação brasileira de 25 a 27 medalhas, mas é um fato a ser destacado. Com as Olimpíadas o legado olímpico estimulará crianças a sonharem em ser atletas como Baby,Felipe Wu,Weverton,Martine Grael e Isaquias Queiroz, o "homem da canoa" que foi o primeiro brasileiro a conquistar 3 medalhas na mesma Olimpíada. E a tendência é esse número aumentar cada vez mais e o número de jovens praticando esportes com o sonho de disputarem os Jogos Olímpicos aumentar proporcionalmente. E que você que não pratica nenhum esporte, continue torcendo - do jeito que for - para qualquer pessoa que esteja representando as cores do nosso país, não importa em qual esporte e em qual competição seja. É esse o legado que devemos abraços e que devemos lutar para que não morra nunca. 

Presenciamos a história com Isaquias Queiroz. (Foto: Lucas Lima/UOL)
Obrigado Brasil, por poder proporcionar essa emoção que foram essas Olimpíadas, eu realmente espero estar vivo quando os jogos voltarem a ser sediados em nosso território. E que venham as Paraolimpíadas! 

@sergiostn_ 


domingo, 14 de agosto de 2016

Arsenal 3-4 Liverpool: Temporada nova, perguntas velhas.

(Foto: Action Images via Reuters/ Tony O'Brien

Algumas questões nunca saem da cabeça de qualquer torcedor do Arsenal: "Será que essa temporada a gente vai longe?" "Será que essa temporada Arsène vai contratar mais pra nos colocar em um patamar acima?" "Será que nessa temporada vamos fazer bonito na Champions League?". Muitas perguntas - não tantas respostas - mas apenas uma certeza: o Arsenal começou a temporada como sempre. 

Não só o Arsenal. Wenger também entra nessa. Os mesmos erros de sempre foram cometidos de novo. Walcott tem 27 anos, quando será que vai desenvolver todo o seu "potencial". Hoje, jogando pelo lado direito de campo, foi favorecido por uma fraca atuação de Alberto Moreno para conseguir um pênalti. Conseguiu desperdiçar a cobrança e teve a sorte que Coquelin e Iwobi estavam ligados e conseguiram devolver a bola no seu pé para marcar o primeiro gol. 

Não foi um domínio completo, mas o Arsenal foi superior ao Liverpool durante os primeiros 45 minutos. Mesmo com a zaga de jovens formada por Chambers e Holding - que se bem treinado, pode dar frutos no futuro - não foi um empasse. Mas, do outro lado tinha Philippe Coutinho. E não pode pensar em comentar um erro sequer quando existe um jogador dessa magnitude no outro time. Em uma falta boba de Rob no último minuto da primeira etapa, o brasileiro não teve pena de Petr Cech e empatou a partida num lindo chute.

Coutinho marca o "gol dos baques" para o Arsenal. (Foto: Reuters/ Eddie Keogh)

Agora, vou parar de narrar os lances do jogo. É normal um time sofrer o baque após levar um gol de empate no último minuto da etapa inicial e isso pode atrapalhar nos primeiros minutos da etapa complementar. Sim, nada de anormal.. Mas o Arsenal levou mil baques. E esses "primeiros minutos" foram uma eternidade. Foram minutos de pavor graças a outro gol de Coutinho, Lallana e Mané, e afirmo que esses minutos acabaram apenas por que o brasileiro sentiu câimbras e saiu do jogo. 

Depois do torcedor ver o 1-4 no placar, outras perguntas surgiram na cabeça dos torcedores: "Por que colocar uma zaga com um fraco Chambers e um jovem jogador com potencial como Holding mas que nunca jogou uma partida de PL logo numa partida contra o bom time do Liverpool? Por que não entrar com o Monreal na zaga? Mesmo não sendo milagreiro, ele daria mais consistência e experiência para a defesa." 

Realmente é uma pergunta válida. Mas outra coisa que eu particularmente não tiro da cabeça é o fato de Alexis Sanchez no ataque. Contra Lovren e Klavan, o pequeno chileno não criou nada. E entre jogar com Walcott na ponta e Alexis no centro do ataque, eu prefiro o contrário. Apesar de Sanchez ter mais qualidade na finalização, seria muito melhor aproveitá-lo na ponta - onde ele bateria de frente com o fraco Alberto Moreno - e seria mais aproveitado durante a partida, e "sacrificar" Theo, que não tem tanta qualidade se comparado ao chileno.

Vale ressaltar os pontos positivos da partida: a garra do time ao mesmo com um placar adverso de três gols, não desistir e tentar buscar o resultado. Quase conseguimos, faltou um gol. Chambers após falta de Cazorla e Chamberlain - que entrou com uma (ótima) vontade de mudar o jogo e "fome" de gol - após uma boa jogada individual e falha de Mignolet diminuíram o resultado. Outra coisa que podemos concluir é que mesmo sem Koscielny, o líder de nossa defesa, e Özil, um dos melhores passadores do mundo, conseguimos bater de frente(tirando os "minutos de pavor") com um time que possui jogadores como Coutinho,Wijnaldum e Roberto Firmino. 

Vale destacar a garra da equipe para tentar buscar o resultado. (Foto: Action Images via Reuters/ Tony O'Brien)

Não estou tentando achar uma luz no fim do túnel e nem dar justificativas pela derrota. Não, perdemos mais uma vez na partida de abertura do campeonato - como temporada passada, contra o West Ham - e jogamos mal no segundo tempo. Mas, a atuação do primeiro tempo e essa "garra" do time são coisas notáveis a se destacar e que podemos levar em consideração para o longo da temporada. Muitas perguntas, mas há uma resposta que responderá a maioria delas: "A temporada será longa". 

Saudações Gunners. 
COYG.